Em alguns restaurantes brasileiros, comer é assistir a uma performance. É o prato que chega fumegante sob uma redoma de vidro. É o som de folhas secas a quebrar sob o talher. É a dança do empregado ao servir. É arte em estado comestível.
Chefs como Alex Atala, Janaína Rueda, Bel Coelho, Alberto Landgraf e Rodrigo Oliveira têm elevado a experiência gastronómica ao estatuto de manifestação artística. Eles não apenas cozinham: eles encenam, provocam, convidam a reflectir sobre o que é comer, o que é Brasil e o que é luxo.
Esta fusão entre arte e alimento coloca o Brasil no mapa dos destinos gastronómicos mais criativos do mundo. Os pratos são pensados como composições visuais, esculturas efémeras ou instalações sensoriais. Em alguns casos, o comensal é convidado a interagir com o prato, tocar, cheirar, desmontar.
A estética importa, mas nunca está acima do sabor. A harmonia entre o belo e o saboroso é a busca constante destes artistas da cozinha. Eles entendem que o luxo está na emoção provocada. É quando o paladar se mistura com a memória, com o olhar, com o gesto.
Eventos gastronómicos como o Mesa São Paulo, o Festival Fartura e o Rio Gastronomia também têm promovido esta aproximação entre a arte e a mesa, criando espaços para performances culinárias, exposições sensoriais e colaborações com artistas visuais.
A comida brasileira, quando bem apresentada, transforma-se em linguagem. Ela fala de ancestralidade, de resistência, de criatividade. É uma narrativa visual e gustativa que nos lembra que o luxo, no fim das contas, é sentir — e nunca esquecer.



